desarmar para continuar

Sobre

Conceito

Assim como as arquiteturas, os corpos emergem do processo de construção e desconstrução. Assim como os materiais, que quando postos em relação uns com os outros constroem arquiteturas, as palavras quando relacionadas constroem histórias. Onde materiais relacionados fornecem refúgio, às vezes também criam limites, onde as histórias revelam o desconhecido, às vezes também o escondem. Nessa contradição, as relações têm protagonismo decisivo

Que outras possibilidades poderiam ser compostas se desarmarmos essa arquitetura corporal, conhecida como ser humano?

Como provocação, propomos uma ação para desarmar algumas relações assumidas que constroem o que entendemos por “nós mesmos”. De forma que as palavras-materiais que compõem essa arquitetura corporal sejam reconsideradas em relações diferentes, para continuar, não mais como “nós mesmos”, mas antes, como uma condição diversa, ou melhor, nós outros.

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Conteúdo

desarmar para continuar expõe ações de projeto da                                 construída em uma fazenda colonial do século XIX, nos arredores da cidade de Itupeva-SP. Nesse projeto, desarmamos pré-existências coloniais de modo a rearranjar os materiais e dota-los de outra condição. Com isso, gostaríamos de refletir, através de um projeto de arquitetura, sobre a temporalidade de certas construções coloniais

Já há um tempo que somos capazes de construir com pedras. É um material frequentemente associado a durabilidade, resistência e peso. Na instalação para a Bienal de Seul, as pedras são levantadas por um embasamento de madeira e depois autossustentadas criando vazios entre elas a fim de permitir a passagem do vento, luz e a visão. Assim propomos que construir com pedras pode ser temporário, frágil e leve.

Podemos fazer um edifício de pedra flutuar? O que poderíamos imaginar se desarmamos nossos edifícios que foram feitos para durar e rearranjar as sobras para imaginar outros modos de construir, outras espacialidades? O que poderíamos fazer se os 18km de muro de pedra, que cerca a cidade de Seul, fosse desarmado para construir edifícios, agora, acessíveis, abertos e democráticos?

Construção

O projeto de instalação é uma maquete abstrata 1: 1 da capela Ingá-Mirim adaptada com materiais locais. Primeiro, vamos construir um anel de embasamento feito de madeira circular com um raio de 1,75 metros e uma largura de 40 cm. Este embasamento será elevado a 15 cm do chão. Aí apoiaremos pedras sem rejunte, que serão intercaladas de forma a criar vazios entre elas. Na parte superior, um anel de madeira circular irá estabilizar a instalação e apoiar uma cobertura de treliça metálica espacial. Dessa treliça penduraremos, com um cabo de aço, um painel com QR code onde estará disponível um vídeo da Capela do Ingá Mirim juntamente com fotos, textos, entrevistas, plantas, cortes e elevações do projeto.

localização

Seoul​

 

Evento

Bienal de Arquitetura

e Urbanismo de Seul

 

ano

2021

área

27m2

arquitetura

francisco rivas

rodrigo messina

 

construção

iyagirish ​


video

Colaboração com

federico cairoli