localização
Rondonia.Brasil
projeto
2025Arquitectura: @messinarivas @lezaeta.lavanchy @guidootero.arquitetura
Paisagem: @delfinafacio
Imagens: @thiago__augustus
Equipe de produção: Clara Troia Homem de Melo, Felipe Akamino, Henrique Canan, Isabella Savi, Julia Grangeiro, Nathalia Pimenta, Raphael Fuly
Consultor: Raoni Nakamura (orçamento)
CONSTRUIR E REGENERAR
orientar-se pelos ensinamentos do Rio Madeira
Concurso Nacional Sede Sebrae Rondonia
“Nós rios, nós montanha, nós terra”
(Ailton Krenak, em Seres Rio - 2021)
O projeto para a nova Sede do Sebrae em Rondônia parte de uma leitura territorial que reconhece Porto Velho como parte da Floresta Ombrófila Aberta Submontana e como cidade moldada, ao longo de décadas, pelo regime do Rio Madeira: suas cheias e vazantes, seus ciclos de ocupação e seus processos de transformação. Esses movimentos ensinaram modos de habitar baseados na adaptação e na convivência com a água. Nesse contexto, a proposta busca renovar a relação entre espaço cívico-urbano e paisagem hídrica, reconhecendo a força do território e ressignificando sua presença no cotidiano da cidade.
A nova sede do Sebrae Rondônia se insere nesse horizonte, procurando articular arquitetura, espaço público e infraestrutura ecológica para constituir um suporte contemporâneo, aberto e permeável. Sua concepção integra dispositivos ambientais que conformam uma infraestrutura regenerativa, alinhada ao clima amazônico e às dinâmicas locais, contribuindo para resiliência, conforto e sustentabilidade. Assim, o edifício tende a operar como extensão qualificada da cidade: sensível ao território, acolhedor e capaz de orientar e conectar a comunidade.
Premissas
Implantado em diálogo com a horizontalidade de Porto Velho, o edifício adota volumetria sóbria, planta permeável e a premissa de um edifício-pátio, cuja forma organiza o conjunto a partir de um vazio central estruturante. Essa decisão se articula ao uso de Soluções Baseadas na Natureza (SBN), por meio das quais o projeto busca estabelecer uma equidade entre área ocupada pelo edifício e área ocupada pela natureza, resultando em aproximadamente 50% de área de preservação e permeabilidade no lote. (Ver quadro de áreas) Essa proporção orienta tanto o desenho das superfícies livres quanto a construção de um pátio ativo e ambientalmente performativo. Em croqui, revela-se uma seção baixa, na qual o pátio atua como articulador espacial e ambiental, permitindo que a complexidade programática se distribua por meio de uma estrutura clara, com ventilação cruzada, iluminação natural e continuidade visual, que são diretrizes fundamentais para o desempenho no contexto amazônico. A presença das espécies arbóreas locais filtra a luz, projeta sombra e modula o microclima do pátio e dos ambientes de trabalho, reduzindo a dependência de climatização mecânica, reforçando a integração do edifício ao território e reafirmando o edifício-pátio como dispositivo ambiental e cívico do projeto.
Pátio ecosistêmico
Integrado ao ecossistema da Floresta Ombrófila Aberta Submontana, o projeto adota estratégia ambiental em três frentes: regeneração ecológica, Soluções Baseadas na Natureza (SBN) e arborização microclimática. No centro do conjunto, o pátio configura- se como topografia viva que reflete o ecossistema amazônico. Ele articula convivência, vegetação e infraestrutura hídrica, tendo como núcleo um jardim de retenção que recebe o excedente dos jardins de chuva e canteiros drenantes, regulando o ciclo das águas e consolidando o edifício como infraestrutura regenerativa (fig.1).
Distribuição programática
A implantação organiza o programa de forma equilibrada: ao norte, uma praça cívica marca o acesso principal; ao sul concentram-se áreas técnicas e de apoio; ao leste, junto à Avenida Campos Sales, situam-se os programas de uso público do Bloco B; ao oeste dispõem-se os programas internos do Sebrae, reunidos no Bloco A (fig.2). A decisão de implantar o estacionamento na cobertura libera o térreo para usos públicos e amplia sua permeabilidade urbana. A cobertura funciona como plataforma versátil para eventos, com vistas para o Rio Madeira. Como o estacionamento corresponde a parcela significativa do programa, sua localização descoberta reduz área construída, otimiza recursos e amplia as áreas livres, enquanto a cobertura leve sombreada superior atua como colchão térmico (fig.3).
Acessos e circulação
Os acessos separam os fluxos de pedestres e veículos. A chegada principal ocorre pelo eixo norte, em praça que preserva as árvores existentes. A entrada de veículos se dá pelo eixo sul, conformando rua interna coberta que conecta a Avenida Campos Sales à Rua Júlio de Castilho e permite acesso direto à rampa do estacionamento. A circulação vertical organiza-se em dois núcleos principais: norte (público e administrativo) e sul (técnico e de serviços), além de um terceiro núcleo central independente para a Zona A, atendendo às exigências de saídas de emergência e circulação interna do programa. A partir deles, um anel horizontal voltado ao pátio distribui os programas, garantindo circulação sombreada, ventilada e energeticamente eficiente, que reforça a vitalidade do conjunto (fig.4).
Dispositivos de sombreamento
A envoltória combina planos inclinados e superfícies dobradas que atuam como dispositivos passivos de sombreamento e ventilação, reduzindo a radiação direta conforme a orientação. Nos pavimentos de trabalho, telas leves filtram a luz e diminuem o ganho térmico, enquanto canteiros vegetados na fachada amenizam temperaturas e introduzem verde no interior. No térreo, a marquise perimetral amplia as áreas sombreadas e cria continuidade com o exterior; nos níveis superiores, galerias e vegetação reforçam o conforto ambiental. Na praça-estacionamento, uma estrutura tensionada sustenta sombrites e painéis fotovoltaicos. Esse conjunto melhora o desempenho térmico e reafirma o edifício como infraestrutura sensível ao território. (fig.5)
















