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localização

Mogi. São Paulo

projeto

2025

Arquitetura:

 @of457.arq @messinarivas @arq.vao @thgaugustus @helenameirellesarquitetura @thiago__augustus
 

Projeto de Paisagem: @estudio_bulla
 

Estrutura madeira: 

@joao_pini @ita.engenhariaemmadeira
 

Equipe de produção: 

@marinalimarina @delfinafacio @juliagrang @lluizasouza @romain_delachaux @gab.wiss23 Camila Silva, @victor.quio @mfgxavier
 

Consultores: Julia Galves (Conforto Ambiental e Sustentabilidade) Roberto Akio Hattori (Climatização) Silmar Sendin (Prevenção e Combate à Incêndio)

CONCURSO SESC MOGI

3º LUGAR

RIO E SERRA, ÁGUA E SOMBRA

Da escala territorial ao ambiente imediato

“O que precisamos é criar sombra e água” — esse foi o primeiro desejo compartilhado em Mogi das Cruzes, logo após a visita ao local. Foi nesse momento que compreendemos a importância de preservar a dimensão pública já presente ali, bem como a relação que as pessoas e os usos estabeleciam com os espaços livres e com a paisagem, marcada pela forte presença arbórea e da Serra do Itapeti. Para isso, era imprescindível que a Arquitetura da Paisagem e a Arquitetura da Matéria Construída atuassem de forma integrada desde o início.

A partir dessa escuta atenta ao lugar, a confluência de saberes de uma equipe multidisciplinar passou a considerar uma escala territorial ampliada, na qual o novo SESC se configura como uma infraestrutura paisagística inserida em um ecossistema maior — uma oportunidade de diálogo com a essência hídrica da região, situada na parte alta da bacia do rio Tietê. Para isso, beirais, vegetações, varandas, clareiras, névoas e zonas úmidas tornaram-se elementos de busca contínua, à medida que a condição de várzea passou a ser vista como uma potencialidade de projeto — tal como nos primeiros tempos da cidade, quando a água desempenhava papel central em infraestruturas locais como chafarizes, bicas e tanques.

O SESC Parque se estrutura, portanto, a partir da dinâmica hídrica do sítio: capta, conduz e retém a água da chuva por meio de jardins de infiltração, zonas úmidas e reservatórios sazonais, que reduzem alagamentos, enriquecem a biodiversidade e promovem conforto térmico. Concebido como um parque ativo, ele transforma os processos naturais em experiências educativas, onde a água, em seus diversos estados — da retenção à evaporação —, é vivenciada em dispositivos integrados ao lazer.

Com isso, para definir a implantação do projeto, partimos das cotas de alagamento no nível 749 metros e da faixa de árvores que atravessa o terreno ao meio. A partir desses elementos, conformamos um eixo estruturante que, simultaneamente, organiza os acessos principais — conectando as ruas Antônio Vergaças e Rogério Tacola — e delimita uma área sombreada de permanência, a chamada Varanda, que convida à convivência no parque e à observação da Serra do Itapeti.

A fim de dissolver as fronteiras entre áreas livres e edificadas — evitando que as novas áreas programáticas se isolem do contexto do parque — optamos por uma implantação baseada na tipologia do pátio. Inicialmente, delimitamos uma porção de paisagem a ser emoldurada internamente: um quadrado de grandes proporções, que chamamos de Praça. O desenho do seu perímetro abraça o eixo de árvores que atravessa o terreno no sentido transversal, deixando-as passar livremente pelas clareiras onde a natureza e a cobertura se encontram.

Ao redor da Praça, os programas se distribuem em uma edificação de perfil baixo. No térreo — onde se concentram os usos de apoio técnico e aqueles voltados ao grande público — os volumes são estruturados em concreto armado, como pedras assentadas no solo. Nos dois pavimentos superiores, dedicados a programas de uso mais controlado, surgem estruturas inteiramente pré-fabricadas em madeira engenheirada, que se elevam como palafitas leves, pairando sobre a paisagem.

INFRAESTRUTURA DA PAISAGEM: O PARQUE ATIVO

O projeto de áreas verdes do SESC Mogi das Cruzes é concebido como uma infraestrutura de paisagem que dialoga com o território em todas as suas escalas. Trata-se de um parque ativo, onde a vegetação, os solos e uma série de equipamentos públicos atuam como agentes de transformação ecológica, social, cultural e climática.

Localizado nas terras baixas da Floresta Ombrófila Densa da Mata Atlântica, o parque se apoia na dinâmica hidrológica do sítio para estruturar sua intervenção. Capta, conduz e retém a água da chuva por meio de uma rede de canais, jardins de infiltração e reservatórios sazonais que reduzem o risco de alagamentos e enriquecem a biodiversidade local. Essa infraestrutura de retenção e regulação hídrica também desempenha funções de amortecimento térmico e moderação climática, em um contexto de verões úmidos e quentes, com chuvas intensas e alta exposição solar.

Esse gesto de resistência ecológica assume o desafio de gerar novos vínculos entre cidade e natureza. O sistema vegetal do parque integra espécies nativas, muitas delas endêmicas, que mantêm importantes relações com a fauna local, reforçando a identidade ecológica do lugar e aumentando a resiliência do sistema. Árvores de grande porte, em combinação com estratos médios e baixos, proporcionam sombra, captam CO2, filtram o ar e constroem microclimas que melhoram o conforto térmico dos usuários.

O parque é concebido como um dispositivo vivo, que incorpora áreas esportivas, trilhas, zonas de estar e contemplação, estações educativas e espaços de brincar, todos integrados em uma matriz verde contínua. É uma paisagem que promove o movimento, o encontro, o aprendizado e o descanso, onde o natural e o cultural se entrelaçam.

Propõe-se aqui uma leitura do território que transforma as condicionantes do clima e do solo em oportunidades de paisagem sensíveis, funcionais e comprometidas com o bem-estar ambiental e coletivo.

ESTRUTURA DE MADEIRA

Eficiência Construtiva e Modularidade

A estrutura é inteiramente pré-fabricada, seguindo os padrões da indústria brasileira de madeira engenheirada. A modulação de 12×12m respeita os limites logísticos de transporte comum. A cobertura metálica termoacústica, leve e eficiente, permite grandes beirais que protegem a estrutura e contribuem para o conforto térmico. Nas lajes o vão é reduzido para 6×12m por meio de viga intermediária apoiada em tirantes metálicos, garantindo esbeltez à solução. O respeito à modulação ao longo do projeto garante alta eficiência produtiva e escalabilidade da solução.

Sua leveza reduz significativamente as cargas nas fundações, permitindo soluções simples e de baixo impacto. A montagem ocorre em apenas três meses após as fundações e a construção do embasamento de concreto, com instalação da cobertura ainda nas fases iniciais, garantindo boas condições de trabalho. A estrutura atua como gabarito e assegura precisão e qualidade superiores, um diferencial frente aos sistemas em aço. Nos maiores vãos, adotou-se viga vagonada espacial na piscina e arcos biarticulados na quadra — soluções leves e eficientes. A durabilidade é assegurada por boas práticas projetuais: pilares afastados do solo, beirais amplos, estrutura sempre protegida da chuva e madeira tratada industrialmente contra cupins e fungos. Nessas condições, a manutenção é mínima e o custo operacional inferior ao de estruturas em aço.

Sustentabilidade e Ciclo de Vida

A madeira engenheirada utilizada é proveniente de reflorestamento certificado. Sua pré-fabricação demanda baixo consumo energético e hídrico, comparado à produção do aço, altamente dependente de processos extrativos e térmicos. Além disso, a estrutura funciona como sumidouro de carbono: cerca de 900 toneladas de CO2 são fixadas, compensando grande parte das emissões da construção. Por ser parafusada e reversível possui um alto potencial de reuso, atendendo aos princípios da circularidade. A escolha por esse sistema construtivo reforça o compromisso ambiental do projeto e assume papel didático e exemplar no contexto do SESC.

 

EMISSÕES DE CARBONO

A proposta considera a incidência solar, os ventos e a iluminação natural, respeitando o clima subtropical do local. O projeto reduz o consumo de energia por meio de estratégias passivas que buscam o conforto térmico e a redução do impacto ambiental. No entanto, dentro do tema da sustentabilidade é preciso ainda considerar também o carbono incorporado, ou seja, as emissões associadas aos materiais usados durante o período da construção.

CARBONO ZERO

O projeto calcula e reduz ao máximo o carbono incorporado, escolhendo materiais duráveis e de baixa manutenção. O carbono residual será compensado com créditos de remoção, atingindo carbono incorporado zero

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CARBONO INCORPORADO (ESTRUTURA)

A estrutura é uma das maiores fontes de carbono em um edifício. Por isso, escolhemos a madeira, um material natural que contém carbono sequestrado. Utilizando metodologia internacional, estimou-se um saldo negativo de -200 tCO2e, contrastando com estruturas convencionais, que emitem ao menos 370 tCO2e.

ECONOMIA CIRCULAR E ADAPTAÇÃO

A estrutura em madeira com encaixes permite adaptações, expansões e desmontagem com mínimo impacto e sem gerar resíduos. Ou seja, o edifício pode evoluir ao longo do tempo, se adaptar a novos usos e continuar útil para as próximas gerações.

PREVENÇÃO E COMBATE À INCENDIO

A estratégia de atendimento ao Regulamento de Segurança Contra Incêndios tem início na distribuição do programa pelo terreno: uma edificação baixa, configurada apenas por térreo mais dois pavimentos, tendo o último deles uma área bastante reduzida. Esta definição é importante, pois garante que as escadas dedicadas ao escoamento do edifício possam ser abertas e integradas aos usos pensados para a unidade do SESC.

No térreo encontram-se os programas de maior público: Espaço de Exposições (F1), Convivências (F9), Comedoria (F8), Sala de Espetáculo (F5) e Sala de Ginástica (E3). Estes foram organizados no terreno, garantindo saídas de emergências claras que seguem as classificações de uso específico e direcionam o público para áreas protegidas e descobertas, configuradas pelos pátios. As áreas técnicas e de serviços também se encontram neste nível e possuem circulação independente, portas corta-fogo e corredores dimensionados. Este pavimento constitui um embasamento conformado por diversos volumes de concreto armado moldado no local (Pedras). Sobre ele será sobreposta uma estrutura de madeira leve (MLC) que segue as diretrizes das normativas vigentes (NBR 7190/2022 e IT08/2025). A madeira apresenta comportamento previsível sob fogo, com carbonização controlada que protege a seção estrutural. Os conectores metálicos estão embutidos e protegidos (não aparentes) e os tirantes metálicos receberão pintura intumescente.

No segundo pavimento, 4m acima do térreo, estão: Ginásio Esportivo, que poderá receber eventos (F6), Piscina Coberta (F3), Piscina Descoberta e Salas Multiuso (E2/E3). Estes programas tiveram suas ocupações previstas pelas Instruções Técnicas dos Bombeiros, tendo sido calculadas as distâncias adequadas para o acesso às escadas das Rotas de Fuga, assim como os seus dimensionamentos e distribuição espacial.

Por fim, o terceiro pavimento, 7m acima do nível de acesso, receberá o Setor Administrativo (D1) e a Biblioteca (F1), tendo sido posicionadas duas circulações verticais claras, em lados opostos, que conduzem o público para áreas protegidas no térreo.

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